Falando como Porto-Alegrense (parte 2)
Liga - Situação favorável, sorte. “Bah, dei uma baita liga”.
Lomba - Lomba é lomba, ora. Mas no resto do país é ladeira.
Me abri pra ti - Algo como: ” tu é o cara mesmo!”. Tirei o chapéu.
Mijada- O mesmo que bronca. “Minha chefe me deu uma mijada”.
Montar num porco - Ficar muito chateado com determinada situação. Ficar puto da cara.
Námor - Em Porto Alegre temos a mania de diminuir, carinhosamente, as palavras. Assim namorada vira námor, chimarrão vira chimas, Redenção é Redença e por aí vai.
Não caga nem desocupa a moita - Humm. Pois é. Expressão usada para o sujeito que não se decide. Não vai nem fica. Não anda nem desanda.
Não dá nada - Algo como: “não te preocupa, isso não vai nos trazer problemas futuros”. Ou simplesmente: “Não esquenta”.
Nicada - O mesmo que fazer amor, transar. Maneira chula de se referir ao ato sexual. “Tô loco pra dar uma nicada”.
O que é um peido pra quem tá cagado - Muito usada para justificar uma atitude inesperada para alguém em situação desfavorável, sobretudo financeiramente.
O que não mata engorda - Expressão muito usada quando se come algo de gosto ou aspecto duvidoso. Serve para acalmar a “vítima”.
O ó do borogodó - Essa expressão, com som tão agradável, é usada para dizer que certa coisa é ruim, “de última”, “o fim da picada”.
Pega-ratão - A UFRGS (diz-se úrguis) costuma usar muito em seus vestibulares. Apresenta uma questão relativamente fácil e os vestibulandos mocorongos acabam caindo. É uma armadilha, um embuste.
Pra tu vê - Expressão usada para indicar a confirmação e/ou surpresa em determinada situação. “A guria me deu um pé na bunda. Pra tu vê como são as coisas”. Bom, talvez não seja bem isso.
Profí - Coisa de profissional. Especial mesmo. “Pô, esse site de Porto Alegre ficou profí!”.
Qualé o teu pastel? - Não é o balconista perguntando que sabor tu queres. Mas sim “qual é a tua?”. Uma interpelação brincalhona, mas nem sempre. Depende do tom.
Que tal? - Usada como saudação. Ao invés de dizer “oi, tudo bem?” se diz “ó, que tal?”. Também usada em tom elogioso “Mas que tal, hein!”.
Rateada - Ato de vacilar, fazer algo errado, cometer um deslize. “Bah, meu, que rateada!”.
Responsa - Forma diminuída de responsabilidade. “Olha a responsa!”, quando se chama a atenção do sujeito para o seu dever. Tem também o “na responsa”. Significa algo bem feito, caprichado. “Olha esse sanduba que fiz pra ti, na responsa.”
Revesgueio - No futebol quando se pega de mal jeito na bola. Também serve para olhar de canto do olho, de solsaio. “Tá me olhando de revesgueio”.
Sarna pra se coçar - Situação que poder gerar confusão. “Tu tá é procurando sarna pra se coçar”. Procurando encrenca, incomodação.
Se atacou das bicha - Diz-se da criatura que teve um “faniquito”. Se irritou com determinada situação.
Se escalar - Ato de tirar proveito da bondade alheia. “A pinta já foi se escalando pro churras.”
Tá bonito, tá ordeiro - Algo que está como deveria. Em pleno funcionamento. Numa boa.
Tabacudo - Sujeito abobado, mangolão, tanso.
Te liga - Usado para chamar a atenção do indivíduo. “Te liga, magrão”.
Um pé lá e outro cá - Advertência, geralmente usada pelas mães, para avisar a criatura para não se demorar, porque senão vai ter.
Vai que é um Dodge - Diz -se de algo que vai muito bem, que dá certo. Vai que é uma beleza.
Varzeano - Adjetivo pejorativo para suburbano, quase um chinelão. De origem futebolística, provavelmente.
Velho do Saco - Ser folclórico do imaginário coletivo. Muito usado no lugar do bicho-papão para “incentivar” uma criança a fazer algo. “Pare de incomodar senão eu te entrego pro velho do saco”. Hoje algumas mães já usam a Nazaré, da novela das oito, com o mesmo efeito.



















